Descobertas Arqueológicas

A ALDEIA DOS OPERARIOS




VISTA GERAL Ao sul da esfinge existe uma área conhecida como "aldeia dos trabalhadores", onde se desenvolveu uma vasta comunidade de operários há uns 4500 anos atrás. Durante a construção das pirâmides no planalto de Gizé, por ali devem ter circulado cerca de 20000 pessoas. Não existem textos escritos na região. Na área foram encontradas rampas de lama de aproximadamente um metro de largura, o que se acredita sejam estrados de camas, sugerindo que ali existiam instalações para alojamento. As camas egípcias eram projetadas freqüentemente com os pé um pouco abaixo do nível da cabeça. As camas foram achadas dentro de grandes "galerias", ou varandas com colunatas, semi abertas para o céu, permitindo que a luz solar entrasse e o ar viciado ou a fumaça saíssem. As galerias podem ter servido como um dormitório ou caserna para trabalhadores temporários, fornecendo quartos de repouso para cerca de 2000 pessoas. Em toda a área havia 40 galerias bastante longas, distribuídas em quatro grandes blocos separados por ruas, numa distribuição semelhante a uma grade. Cada galeria incluia os elementos de uma casa egípcia típica: uma área mais pública sustentada por pilares, um ambiente interior e, nos fundos, um espaço para preparo de alimentos. Tais estruturas foram colocadas umas após as outras e reproduzidas em grande escala. Elas parecem fazer parte de um vasto complexo que também abrigava atividades como manipulação de cobre e preparo de refeições. A rua principal que atravessa o local é de pedra calcária pavimentada com barro, com uma vala para drenagem forrada de pedregulho em sua parte central, quase como uma rua moderna.

O PAREDÃO Nos limites a noroeste desse conjunto existia um sólido paredão, do qual vemos um trecho na foto ao lado, ainda parcialmente enterrado, com nove metros de altura, com um portal que se elevava a mais de seis metros, um dos maiores do mundo antigo. Grande quantidade de cerâmica, cinza e lixo foi achada na área, especialmente enormes quantias de ossos de animais, cuja carne teria sido suficiente para alimentar vários milhares de pessoas, mesmo que eles comessem carne diariamente. Muitos dos ossos eram de gado jovem, com menos de dois anos de idade, sugerindo que os trabalhadores desfrutavam de carne de primeira. Outros achados mostram que também comiam pão, peixe e bebiam cerveja. O chão de um dos compartimentos desenterrados, por exemplo, estava totalmente coberto por barbatanas, brânquias e crânios de peixes, o que denota ter sido um lugar para processamento ou consumo de peixe. Análise dos restos humanos indicam que os trabalhadores, aparentemente, tinham acesso a tratamento médico. Os indícios nesse sentido foram a descoberta de ossos quebrados curados, membros amputados e até mesmo cirurgias de cérebro.

Além da área de alojamento, também foram descobertas evidências da existência de uma cidade de trabalhadores totalmente separada e completa, com pátios, ambientes de trabalho, e casas. A interpretação dada pelos arqueólogos é a de que na cidade moravam os trabalhadores qualificados: artesãos, os que extraiam ou esculpiam pedras, supervisores e funcionários. A descoberta da área citadina reforça a teoria que os egípcios utilizaram tanto trabalho qualificado permanente, quanto mão-de-obra temporária para completar o grandioso projeto de construção. Um grupo de silos construídos com tijolos de lama cercam um pátio retangular. Situados dentro de uma estrutura real destinada a armazenamento e administração do complexo, eles provavelmente armazenaram enormes quantidades de grãos usados para fazer pão. O local onde tais pães eram preparados também foi encontrado. Essa foi a "padaria" mais antiga escavada no Egito. Ali havia um conjunto de recipientes para o preparo de pão, facilmente reconhecíveis pelas cenas dos túmulos que documentam o processo de panificação. A análise dos resíduos revelou que os padeiros egípcios usavam como matéria-prima a cevada e uma espécie de trigo quase sem glúten na elaboração de seus pães.

Um recinto adjacente se revelou ser uma sala hipostila, ou seja, dotada de colunas, a mais antiga desse tipo já descoberta no Egito, cheia de bancos baixos. Especula-se que talvez tenha sido um refeitório, mas seu propósito verdadeiro ainda é um mistério. Os arqueólogos desenterraram um edifício muito grande com paredes duplas e triplas. Dentro dele há muitos aposentos, evidência de trabalhos com cobre, com tecidos e o grande pátio onde estão os silos destruídos. Poderia ter sido um palácio, a residência de uma pessoa importante do local, ou algum tipo de edifício administrativo. Centenas de selos que datam do tempo de Kéfren (c. 2520 a 2494 a.C.) e de Miquerinos (c. 2490 a 2472 a.C.) foram encontrados. O arqueólogo americano Mark Lehner, chefe da equipe que realizou essas descobertas, acredita que a cidade foi arrasada intencionalmente e a erosão e a areia completaram a destruição. Hoje, por toda a área, as ruínas atingem, no máximo, a altura da cintura de um homem. A superfície total da cidade abrange cinco hectares e toda ela foi mapeada. Até o final de 2003 já havia sido escavado 10% desse total, ou seja, 5000 m², e acumulada a maior coletânea de objetos dentre todas as escavações já realizadas no Egito.

A foto que ilustra o alto desta página, tirada por Mark Lehner, mostra em primeiro plano os restos das paredes da antiga cidade, que parece ter crescido organicamente com o passar do tempo, e na qual devem ter morado os trabalhadores permanentes. Além das tendas dos escavadores vemos as galerias, as quais devem ter abrigado a mão-de-obra rotativa de vários milhares de pessoas. Ao longe, vê-se o paredão, ainda em parte enterrado na areia e, além dele, as calçadas que conduzem às pirâmides de Kéops, à direita, e Kéfren.




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