PERGUNTAS INTERESSANTES



PARTE DOIS

O Alto e o Baixo Egito | O túmulo de Imhotep | O túmulo de Ramsés II
O Vale dos Reis | Anúbis, filho de Osíris | Hórus e Seth
Faraós e pirâmides | Os desenhos egípcios | Um sarcófago intacto
A cor dos egípcios | A cidade de Hamunaptra | Origem da palavra Egito
A ordem sucessória | Os filhos de Cleópatra | Estudo do Egito
A Batalha de Kadesh | Os Hieróglifos | O olho de Hórus
A ópera Aida | O nariz de Cleópatra | Confecção de pirâmides
Gostaria de saber onde se localizava, exatamente, o Alto e o Baixo Egito.
MAPA DO BAIXO EGITO R – A região do Baixo Egito compreendia todo o delta do Nilo até a cidade de Mênfis, inclusive, e era formada por 20 nomos ou divisões administrativas. Já a região do Alto Egito abrangia todo o restante do país, até Assuão e era formada por 22 nomos. Na ilustração ao lado vemos a área do Baixo Egito; abaixo dela estendia-se o Alto Egito.

Queria saber se você tem alguma informação sobre a descoberta, se é que já houve, do túmulo do sacerdote Imhotep, pois eu assisti no canal Discovery que existe uma expedição tentando encontrá-lo.

R – Com relação ao vídeo que você viu, ele foi produzido para despertar interesse em torno do filme O Retorno da Múmia. Ele apenas discute a pesquisa que vem sendo feita na busca do túmulo de Imhotep nos arredores da pirâmide de Djoser. Tais pesquisas foram iniciadas na década de 60 e retomadas agora pelos egiptólogos. Entretanto, a tumba de Imhotep não foi encontrada até hoje.

Gostaria de saber se o túmulo de Ramsés II já foi encontrado.

R - Sim, a localização do túmulo de Ramsés II (c. 1290 a 1224 a.C.) já TÚMULO DE RAMSÉS II era conhecida no século XVIII, sendo que o arqueólogo Richard Pococke fez seu primeiro mapeamento entre 1737 e 1738. O sepulcro, cuja planta e corte vertical vemos ao lado, está situado no Vale dos Reis, no sopé do lado norte do vale principal. Abrange uma área total de 868,4 m², tem comprimento total de 168,05 m, largura máxima de 13,6 m e altura máxima de 5,82 m. A partir da entrada do sepulcro existem escadarias e rampas descendentes que levam a um poço ritual com 6 metros de profundidade. Vencido tal obstáculo atinge-se uma sala com quatro colunas, do centro da qual sai outra escada que dá acesso a mais um corredor, o terceiro, o qual desemboca na antecâmara. À direita desta situa-se a câmara funerária com oito colunas. Várias outras salas anexas completam o conjunto, cuja construção, ao que se acredita, teria começado no segundo ano do reinado daquele faraó. Infelizmente, no 28º ano do reinado de Ramsés III (c. 1194 a 1163 a.C.) o túmulo foi saqueado, conforme nos informa um papiro daquela época. Além disso, a tumba já foi invadida várias vezes por inundações. Pinturas das paredes, outrora magníficas, se despreenderam aos pedaços. Os pesquisadores dos séculos XIX e XX que exploraram a tumba sairam de lá convencidos de que nada havia que pudesse ser explorado ali, em função dos danos extremos sofridos pelo local. Entretanto, arqueólogos franceses, chefiados por Christian Leblanc, conseguiram liberar quase completamente o túmulo dos entulhos acumulados pelas águas. Em termos de equipamento mortuário muito pouco foi encontrado no sepulcro: fragmentos de estátuas; estatuetas funerárias em madeira; pedaços de tampas de vasos de vidro, calcita, ou pedra calcária; um fragmento que pode ser do ataúde ou de um estojo para os vasos canopos e pouca coisa mais. A múmia de Ramsés II não foi encontrada em sua tumba. Na antiguidade ela fora removida para o túmulo do seu pai e, posteriormente, transportada para o esconderijo de Deir el-Bahari, onde foi descoberta por H. Brugsch e Maspero em 1881.

Existem ainda muitas tumbas a serem descobertas no Vale dos Reis?

ENTRADA DO VALE DOS REIS R - O Vale dos Reis, cuja via de acesso vemos ao lado, contém, aproximadamente, 62 tumbas escavadas, mas nem todas são de faraós. Algumas pertencem aos privilegiados membros da nobreza e não são decoradas. Os primeiros túmulos de faraós como Tutmósis I (c. 1504 a 1492 a.C.), por exemplo, contém escadarias, corredores e amplas câmaras mortuárias. Por outro lado, as últimas tumbas de reis como Ramsés XI (c. 1100 a 1070 a.C.), por exemplo, são pouco mais do que horríveis corredores em declive. O arqueólogo Donald P. Ryan, que realizou várias pesquisas naquele local, escreveu em 1994: Em 1820, Giovanni Belzoni pressentia que não havia mais tumbas a serem encontrados no Vale dos Reis. Sentimentos similares foram expressos por Theodore Davis em 1912 e após a descoberta do túmulo de Tutankhamon, em 1922, tem havido relativamente poucas expedições trabalhando no Vale dos Reis. A probabilidade de encontrarmos novos túmulos no Vale dos Reis é pequena. A probabilidade de encontrarmos novos túmulos intactos no Vale dos Reis é minúscula. Pesquisas recentes, entretanto, demonstraram que ainda existe um filão de conhecimentos a ser explorado naquele local e o Vale dos Reis continuará a apresentar surpresas ocasionais. Nossas prioridades, todavia, devem agora enfatizar a conservação. A necessidade imediata de prevenir maiores danos a esses preciosos monumentos, causados por forças naturais ou humanas, está clara. Arqueologia e conservação nem sempre foram praticadas com a mesma energia. Uma das mais recentes descobertas foi a do túmulo dos filhos de Ramsés II (c. 1290 a 1224 a.C.), 54 no total, que ainda está sendo escavado.

Li um artigo que falava que Anúbis seria filho de Osíris vivo. Pode até ser falta de um maior conhecmento de minha parte, mas nunca tinha lido isso antes em outro lugar. Queria saber qual a veracidade desse fato!

R – De fato, a lenda que Plutarco nos narra em sua obra intitulada Sobre Ísis e Osíris conta que Osíris, enquanto ainda vivo e casado com Ísis, teve uma união carnal com Néftis, irmã de sua esposa, por ter confundido esta com aquela. Néftis, logo após dar à luz, escondeu a criança, obviamente por medo da reação de seu marido, o deus Seth. Quando Ísis soube do fato, começou a procurar a criança. Guiada por cães, encontrou-a depois de grandes e difíceis penas. Encarregou-se de alimentar essa criança, chamada Anúbis, que se converteu em seu acompanhante e guardião. Diz também a lenda que esse deus chacal estava destinado a guardar os deuses assim como os cães guardam os seres humanos.

Tenho lido em alguns livros que o deus Hórus seria irmão do deus Seth e não seu sobrinho. Poderia me esclarecer a respeito?

R – Vários aspectos da religião egípcia foram sendo modificados ao longo dos séculos. Esse é um deles. Num período muito primitivo da história egípcia, o deus Seth foi considerado irmão e amigo de Hórus, o antigo. Seth representava a noite, ao passo que Hórus representava o dia. Muitos séculos depois Seth passou a ser encarado como um deus do mal e Hórus, esse então filho de Osíris, combateu-o e derrotou-o. Eram dois deuses Hórus distintos que acabaram se confundindo. Para mais detalhes veja a página O Deus do Mal deste site.

Gostaria de saber quantos faraós houve no Antigo Egito e se todos eles ergueram pirâmides.

R – Estima-se que tenha havido cerca de 330 faraós, distribuídos em 30 dinastias, desde Menés, rei que consolidou a unificação dos reinos pré-históricos do Alto e do Baixo Egito, até a conquista do país por Alexandre. Muitos soberanos, entretanto, não passam de um nome em uma lista e de inúmeros deles pouco se sabe, a não ser que participaram de alguma guerra, mandaram construir algum monumento e coisas do gênero. Nem todos os faraós edificaram pirâmides. O período áureo da sua construção estendeu-se entre a III e a VI dinastias (de 2630 a 2150 a.C.). Você poderá encontrar neste site uma tabela com as características de quase todas as que foram localizadas até hoje e os faraós que as construíram.

Por que nos desenhos os egípcios sempre aparecem de perfil e nunca com a face voltada para a frente?

R – A representação pictórica dos egípcios segue regras que já estavam PRINCIPE SIRENPUT II bem definidas no tempo do Império Antigo (c. 2575 a.C.) e seus princípios fundamentais eram considerados como estabelecidos desde "o tempo dos deuses", época mítica das origens de todo o mundo egípcio. A estili-zação do corpo humano está na base destas imposições. A figura aparece desenhada como se fosse olhada a partir de diversos pontos de observação. O rosto está sempre de perfil, mas com um olho visto de frente — para poder ver o observador e o seu mundo—, o busto está de frente, desde os ombros até às ancas; as pernas aparecem novamente de perfil.
A respeito desse assunto, assim escreve Francesca Español em sua obra intitulada "Saber Ver a Arte Egípcia": É óbvio que a arte egípcia utilizou um sistema próprio de representação. (...) Para entender seus fundamentos, é imprescindível contar com o papel mágico desempenhado pelas obras. Não é verdade que os artistas egípcios foram incapazes de reproduzir a realidade. (...) A arte oficial afastou-se voluntariamente do naturalismo, uma vez que as imagens, para serem instrumentos mágicos eficazes, não deviam reproduzir a aparência transitória das coisas, mas sua essência, o que nelas havia de perene. Daí a peculiar representação do corpo humano sob perspectiva planiforme, que adquire essa aparência como resultado de um processo intelectual que ressalta aquilo que o integra, em detrimento do que percebemos com o olhar. Uma cabeça de perfil permite reproduzir convenientemente o nariz, que passará despercebido se a imagem for frontal. Mas os olhos, ao contrário, perdem assim sua forma completa e, por esse motivo, o único olho representado aparece de frente. Outro tanto acontece com os ombros. O homem possui dois e por isso, nesse ponto, abandona-se o perfil que imperava na região da cabeça, para ater-se à visão integral do indivíduo. Essa intelectualização da imagem por razões de operatividade mágica acarretará muitas outras particularidades.

Li que recentemente foi encontrado um sarcófago intacto e que isso é raro. É verdade? Poderia me fornecer detalhes sobre o assunto?

R - De fato, em 15 de junho de 2002 foi descoberto um sarcófago intacto perto das pirâmides de Gizé. Supõe-se que ele contenha a múmia de Neni Sout Wizart, que viveu na IV dinastia (c. de 2575 a 2134 a.C.) e foi o mais importante supervisor dos trabalhadores que construíram a pirâmide de Kéops. O sarcófago é de pedra, tem dois metros de comprimento e um de largura e foi desenterrado a dois quilômetros a sudeste da Esfinge. Este é o sarcófago intacto mais antigo jamais encontrado: tem 4.500 anos. Até então, haviam sido descobertas mais de 120 tumbas de trabalhadores nas proximidades das pirâmides de Kéops, Kéfren e Miquerinos, mas nenhuma delas com um sarcófago intacto e selado.

O povo egípcio antigo é considerado negro ou branco?

R – Parece não existir uma resposta objetiva e concreta com relação a essa pergunta. Os estudiosos do assunto não chegaram a uma conclusão definitiva — e provavelmente nunca chegarão. Só para que vocês tenham uma idéia, apresentamos algumas opiniões que pinçamos aqui e ali:
1) Segundo Cheikh Anta Diop, autor de várias obras sobre a África e a origem da humanidade, a população do Egito era basicamente negra durante o período pré-dinástico, caracterís-tica que perdurou até o Egito perder definitivamente sua independência.
2) O professor A. Abu Bakr, especialista em história antiga do Egito, já falecido, achava impossível aceitar a idéia de uma população neolítica inteiramente negra no Egito.
3) O egiptólogo Jean Vecoutter afirma que o povo que ocupou o vale do Nilo sempre foi mestiço. Ele declara que é possível apresentar várias representações em que os seres humanos estão pintados de vermelho e não de preto, ou seja, figuram como
não-negros.
4) O especialista em história antiga R. El Nadury não nega a existência de elementos negros na população egípcia durante o Império Antigo, mas parece-lhe difícil admitir que toda a população fosse negra.
5) Para J. Leclant, egiptólogo e professor da Sorbonne, os egípcios não eram brancos nem negros.
Esperamos ter esclarecido alguma coisa. Ou será que confundimos vocês ainda mais? Se foi esse o caso, a culpa não é nossa.

A cidade de Hamunaptra, o faraó Seti I, o sacerdote Imhotep e a concubina Anck-Su-Namum existiram realmente, ou são apenas invenções do cinema?

R – A cidade de Hamunaptra é pura invenção do filme A Múmia. Existiu um faraó com o nome de Seti I (c. 1306 a 1290 a.C.), que reinou durante a XIX dinastia, mas não consta que tivesse tido uma amante com o nome de Anck-Su-Namum, a qual, portanto, é outra invenção do filme. O nome mais parecido que encontramos na história do Egito é o da esposa do faraó Tutankhamon (c. 1333 a 1323 a.C.), que se chamava Ankhesenamom, mas cuja história, obviamente, nada tem a ver com a do filme. Quanto a Imhotep, existiu realmente um indivíduo com esse nome. Ele foi o grande arquiteto que construiu a pirâmide de degraus do faraó Djoser (c. 2630 a 2611 a.C.). Novamente, nenhum ponto de contato entre a figura histórica e a da ficção.

Gostaria de saber a origem da palavra Egito.

R - Se considerarmos os milênios decorridos da história egípcia, é claro que o Egito teve muitos nomes em muitas línguas diferentes. Durante o Império Antigo, os egípcios chamavam-no de Kemet (Kmt) KMT, que significa Terra Preta, numa referência ao rico solo existente no vale do Nilo, e denominavam-se a si mesmos de remetch en Kermet, que significa povo da Terra Preta. Posteriormente, passaram a referir-se ao país como Het-Ka-Ptah HET-KA-PTAH, que significa Casa do Ka de Ptah. Em função da dificuldade para pronunciar esse nome, os gregos transliteraram o termo para Hi-Gi-Ptos e, depois, contraíram-no para Aegyptos. O escritor Homero, em sua famosa Odisséia, usou esse termo e dele se originou o latim Aegypti e daí resultou a nossa palavra Egito (ou Egipto em Portugal) e o vocábulo correspondente em várias outras línguas como, por exemplo, Egipto em espanhol, Egypt em inglês, Égypte em francês, Ägypten em alemão e Egitto em italiano.
Nos dias atuais a palavra que os egípcios usam frequentemente para designar o país é Misr, vocábulo árabe que significa país. Parte da tradição desse termo como nome para o Egito vem do Corão Islâmico. A palavra também pode significar fortalecido ou acastelado, numa referência às barreiras de proteção natural do Egito que defendiam o país contra invasores. Misr provavelmente deriva do antigo termo Misraim, o qual é o nome hebraico de Egito, citado na Bíblia. É provável que Misraim seja derivado de uma antiga palavra egípcia mdr MDR, com a qual os povos da região se referiam ao Egito.

Como era a ordem sucessória no Egito Antigo?

R – Christiane Desroches Noblecourt, em seu livro A Mulher no Tempo dos Faraós, nos ensina que em caso de morte, está estabelecido que os bens próprios do morto passem naturalmente aos parentes que sobreviveram: os filhos legítimos recebem uma parte igual, sem levar em conta seu sexo. Na falta de descendentes, tudo fica para a esposa. Ocorria, assim, que um pai podia fazer testamento sobre uma parte de seus bens, deixando a lei reger o excedente em igualdade. Uma estela do Cairo relata um desses casos no qual um pai faz uma doação especial para uma das filhas, sem privá-la da parte que ela receberia da partilha da herança entre ela, seus irmãos e irmãs.
Já no que se refere aos faraós, reconheceu-se como fato indiscutível que a hereditariedade era assumida pela rainha: ela veiculava a divina substância ao infante real. Esse conceito implicava, portanto, que ela própria fosse filha de um faraó; então, através de sua união com um pretendente ao trono, não herdeiro direto, ela podia transmitir o sangue real solar aos filhos do novo soberano. Por sua vez, como os direitos da filha real eram primordiais, os reis da II dinastia (c. 2770 a 2649) estabeleceram a plena legitimidade da mulher para ocupar o trono.

Gostaria de saber o que aconteceu com o filho de Cleópatra e Júlio César e com os gêmeos que ela teve com Marco António.

R – Cesário, o filho de Cleópatra com Júlio César foi assassinado por Otaviano. Alexandre Hélio (Sol) e Cleópatra Selene (Lua), os filhos gêmeos de Cleópatra e Marco António, ao que parece foram levados para Roma, para junto de Otávia, irmã de Otaviano e antiga esposa de Marco António, a qual generosamente os educou juntamente com os próprios filhos. Cleópatra Selene casar-se-ia com o Rei da Macedônia, Juba II, por volta do ano 20 a.C. e morreria jovem, em 11 a.C., deixando um filho de nome Ptolomeu. Cleópatra teve ainda um terceiro filho com Marco António que recebeu o nome de Ptolomeu Filadelfo, mas sobre ele faltam registos históricos e parece ter desaparecido misteriosamente.

Por que, tendo o mundo chegado a um estágio de tão alta tecnologia, ainda continuamos a pesquisar sobre o Antigo Egito?

R – Para responder a essa pergunta, vou me valer da afirmativa do egiptólogo John A. Wilson que, em sua obra La Cultura Egípcia, afirma:
A história cultural do Antigo Egito durante três mil anos constitue uma espécie de parábola externa, a história de outros homens que fizeram grandes coisas, que experimentaram êxitos, fracassos, otimismo e desilusões. Essa história não nos pertence, de maneira que podemos estudá-la e compreendê-la sem pré-julgamentos e, portanto, constitue um ensinamento que tem relação com nossa vida e pode ser aplicada a ela. O longo processo dos esforços do homem em outros tempos, outros lugares e outras circunstâncias é a parábola do que ocorre a toda a humanidade e a nós especificamente. Podemos aprovar ou lamentar o que os egípcios fizeram durante aqueles milhares de anos e, ao fazê-lo, projetamos inevitavelmente uma sombra de crítica valorativa sobre nossos próprios feitos.

Gostaria que me contassem alguns detalhes sobre o desenrolar da batalha de Kadesh.

R – Kadesh, ou Cadesh, ou, ainda, Qadesh é a mais antiga batalha da BATALHA DE KADESH história da humanidade cujo desenrolar pode ser reconstituído em pormenor. Ela ocorreu perto da cidade de Kadesh, junto ao rio Orontes, em 1285 a.C. Os combatentes eram o faraó Ramsés II e o rei hitita Muwatallis e estava em jogo o controle da Síria. Quatro divisões, chamadas de Amon, Rá, Ptah e Seth, formavam o exército egípcio com cerca de 20 mil homens e equipado com carros de combate. Havia ainda uma unidade menor de apoio que funcionava de forma independente. Por sua vez o exército hitita, bem organizado, era constituído por cerca de 25 a 30 mil homens e 3.500 carros. Quando Ramsés II chegou a um dia de viagem da localidade de Kadesh, acampou. Nenhum inimigo podia ser avistado. Dois beduínos, dizendo-se desertores, se renderam como prisioneiros e informaram que o exército hitita estava enfileirado bem mais ao norte. Baseado nessa falsa assertiva, o rei avançou célere e imprudentemente em direção a Kadesh, à frente da divisão de Amon, sem se aperceber que os hititas estavam escondidos logo depois da cidade. Nas primeiras horas da tarde os combatentes egípcios armaram seu novo acampamento (marcado com a bandeirola na ilustração acima). Quando a divisão de Rá, sem nada suspeitar, se aproximou, o seu flanco direito foi alvo de uma carga devastadora dos carros de guerra hititas. Colhida de surpresa em posição de marcha, partida BATALHA DE KADESH em duas e superada três ou quatro vezes em forças, a divisão de Rá fugiu desesperada e entrou desordenada-mente no acampamento egípcio, atropelando na rota também a divisão de Amon. A divisão de Ptah estava ainda muito longe para poder prestar qualquer ajuda e os egípcios acabaram sendo cercados pelos carros de combate hititas. Ramsés II não se desesperou. Tentou quebrar o cerco em um setor a leste onde ele ainda não se fechara e conseguiu abrir uma passagem, ao mesmo tempo em que o acampamento era totalmente invadido. Extasiados com as riquezas egípcias, os soldados hititas entregaram-se ao saque. Nesse momento de distração, foram surpreendidos e vencidos pela unidade independente de apoio, formada por recrutas, que talvez tivesse recebido ordens de alcançar Kadesh por outro caminho e chegavam pelo oeste. Entretanto, a batalha prosseguiu. Durante três horas Ramsés II renovou os ataques até que do sul surgiu a divisão de Ptah e os hititas, presos entre dois fogos, ao entardecer, entricheiraram-se dentro das muralhas de Kadesh. Ramsés II estava salvo. No final, os dois exércitos sofreram pesadas baixas, mas nenhum deles foi aniquilado. A batalha teve um resultado indeciso, mas Ramsés II considerou-a uma grande vitória e registrou-a em muitos relevos, não apenas em seu templo funerário em Tebas como também em Luxor, Carnaque, Abido e Abu Simbel. Depois de outros combates nos anos seguintes, foi feita a trégua, seguida de um tratado formal em 1269 a.C. O texto do tratado está preservado em templos egípcios daquele faraó e em tabuinhas cuneiformes encontradas na capital hitita, sendo o mais antigo documento desse gênero que possuímos. A paz durou mais de 50 anos e foi confirmada por casamentos de Ramsés II com princesas hititas.

Gostaria de aprender a ler os hieróglifos, mas não estou encontrando nenhum livro ou curso e, por isso, peço que me indiquem alguma coisa nesse sentido.

R – Para iniciar o estudo dos hieróglifos podemos lhe dar algumas sugestões:
  • Este site possui sete páginas sobre tal assunto e outros correlatos, a saber: Os Hieróglifos, A Decifração dos Hieróglifos, Champollion, A Pedra de Roseta, A Escrita, Os Escribas, O Papiro.
  • Na Internet você poderá visitar o site de Serge Rosmorduc, que apresenta um pequeno curso sobre os hieróglifos em inglês: A Short Introduction to Hieroglyphs. Além disso, esse site apresenta uma curiosidade interessante: você digita o seu nome e ele aparece grafado em hieróglifos, na forma como teria sido escrito na época dos Ptolomeus. Não use letras acentuadas. Tente. É divertido. O nome é exibido dentro de um cartucho. Para acessar essa página, clique aqui. Digite as palavras no quadrinho do canto superior esquerdo da tela.
  • Para um estudo bem mais aprofundado, existem várias gramáticas de hieróglifos, em inglês ou francês. As mais conceituadas são as seguintes:
    Egyptian Grammar, Being an Introduction to the Study of Hieroglyphs, de Sir Alan H. Gardiner, editado pelo Griffith Institute, 1978.
    Concise Dictionary of Middle Egyptian, de R. O. Faulkner, editado pelo Griffith Institute, 1962.
    Ancient Egyptian: a linguistic introduction, de Antonio Loprieno, editado pela Cambridge University Press,1995.
    Cours d'Égyptien Hiéroglyphique, de P. Grandet e B. Mathieux, editado pela Editora Khéops, Paris.

Eu queria saber se é verdade que a lenda conta que o olho de Hórus foi arrancado pelo seu tio, Seth, quando aquele foi vingar a morte de Osíris.

R – Realmente, em um texto escrito por um egípcio anônimo por volta de 1150 a.C. conta-se a história da contenda entre Hórus e Seth pelo direito ao trono do Egito, deixado vago após a morte de Osíris. Depois de várias peripécias, num gesto de fúria, Hórus acabou decepando a cabeça de sua mãe, Ísis, e a Assembléia dos Deuses saiu à sua procura para puni-lo. Ele refugiou-se na região dos oásis. O manuscrito narra: Ali Seth encontrou-o. Lançou-o de costas no chão e arrancou seus dois olhos das órbitas e os enterrou nas faldas da montanha. E ali os dois globos oculares tornaram-se dois botões de flor que cresceram e transformaram-se em lótus, que iluminam a Terra.
Entrementes, Seth foi e falou enganosamente a Rá do Horizonte: "Não consigo encontrar Hórus", disse ele, muito embora já o tivesse encontrado.
Então Hátor, a Senhora do Sicômoro do Sul, foi e encontrou Hórus deitado e chorando na falda da montanha. Tomou uma gazela, ordenhou-a, e dirigiu-se a Hórus: "Abre teus olhos, para que eu possa esfregar estas gotas de leite". Ela assim o fez no olho direito e no olho esquerdo. "Abre teus olhos", ela disse. E ele assim o fez. Ela olhou para ele e descobriu que tudo estava bem de novo.
Então ela foi falar com Rá do Horizonte, dizendo: "Hórus foi encontrado! Seth o levou a um estado lastimável com
[a perda do] seu olho, mas eu o restaurei. Vede! Ei-lo que chega!"
Os lótus que iluminam a Terra aludem, provavelmente, ao Sol e à Lua, um traço emprestado de um outro mito.

Desejo saber se é verdadeira a história contada na ópera Aida.

ÓPERA AIDA R – Indo direto ao ponto e falando de forma objetiva, a resposta é não. Entretanto, a ópera Aida, de Giuseppe Verdi, é tão venerada, que acabou se tornando lendária. Não que sua história seja uma lenda, mas porque lendas foram criadas a respeito de sua criação, sejam baseadas em fatos verdadeiros
ou falsos. Costuma-se dizer, por exemplo, que foi o brilhante egiptólogo francês Auguste-Edouard Mariette que escreveu o esboço da história de Aida. O crítico musical, Ernest Newman, que escreveu uma História das Grandes Óperas em sete volumes, chegou mesmo a escrever que o enredo da Aida poderia ter sido baseado num episódio da história egípcia descoberto por Mariette. Entretanto, isso não parece corresponder à realidade. Mariette não descobriu o esqueleto de uma princesa etíope e de seu amado guerreiro egípcio enterrados na cripta de um templo em algum lugar do Egito.
Representação da ópera Aida aos pés
das pirâmides de Gizé, em 10 de
outubro de 2002
O mais provável é que o enredo tenha sido escrito por Temistocle Solera, um libretista que já havia trabalhado com Verdi e que com ele se desentendera a ponto de não mais se falarem. Solera havia visitado o Egito e acreditava que sua extravagante história ambientada no tempo dos faraós iria agradar a Verdi. Também sabia que o compositor a recusaria se viesse a saber que ele era o autor. Assim, pode ter pedido a Mariette que pusesse as cenas em ordem e apresentasse o trabalho a Verdi como se fosse do egiptólogo. Se assim foi feito, o compositor caiu na armadilha.
O texto burilado por Mariette passou para as mãos de um amigo seu, M. Camille du Locle. Du Locle era diretor do Teatro da Ópera Cômica de Paris e havia sido o libretista da ópera Dom Carlos, de Verdi. Ele redigiu, em prosa francesa, uma versão final do esboço da ópera e enviou para Verdi. Quando Verdi recebeu o texto enviou uma carta ao amigo dizendo que gostara muito e que o achara muito bem feito e redigido por alguém bastante acostumado a escrever para teatro. Na mesma correspondência há uma indagação feita pelo compositor a qual, até hoje, não recebeu resposta definitiva: quem o redigiu?
Finalmente o trabalho foi entregue ao poeta italiano Antonio Ghislanzoni, que já criara o libreto de outra ópera de Verdi intitulada A Força do Destino. Sob a supervisão cerrada de Verdi, o poeta preparou o libreto de Aida. Mariette ficou responsável pela parte visual do espetáculo, supervisionando os cenários e o guarda roupa, quando da primeira execução da obra no teatro Cairo Opera House, em 24 de dezembro de 1871.
Clique no link se quiser ler um resumo do enredo.

Ouvi dizer que Cleópatra era, na verdade, muito feia. O que vocês têm a informar sobre isso?

MOEDA DE CLEÓPATRA R – O matemático e filósofo francês Blaise Pascal (1623 a 1662), em sua obra intitulada Pensamentos, afirmou: Se o nariz de Cleópatra tivesse sido mais curto, toda a face do mundo teria mudado. A idéia por trás dessa frase é a de que, se Cleópatra fosse mais bela, Otaviano poderia ter se apaixonado por ela e o rumo dos acontecimentos históricos poderia ter sido outro. Ninguém sabe, precisamente, qual era a aparência física de Cleópatra, mas a lenda diz que a sedutora rainha do Egito tinha um nariz bastante avantajado, o qual fazia parte da sua exótica beleza. Seu charme foi suficiente para atrair a Júlio César e, posteriormente, a Marco Antonio, que se tornaram seus amantes e aliados políticos. Segundo o historiador grego Plutarco (c. 50 a 125 d.C.), rigoroso biógrafo, ela possuía uma voluptuosidade infinita ao falar. Sua beleza não causava admiração e assombro, mas suas maneiras eram tais, que tornava-se impossível não render-se. E disse mais: Sua beleza não era tal que deslumbrasse ou que deixasse parados os que a viam; porém suas maneiras tinham um atrativo inevitável e sua figura, ajudada por sua astúcia e por uma graça inerente à sua conversação, parecia que deixava cravado um aguilhão no ânimo. Em abril de 2001, foram exibidos no Museu de Londres estátuas que puseram em dúvida a eterna imagem de Cleópatra: a mítica rainha não seria nenhuma Elizabeth Taylor, muito ao contrário, era bem desafortunada fisicamente. Segundo tais estátuas, ela seria feia, baixinha e gorda. E ouve até especialistas que asseguraram que não media mais do que um metro e meio de altura. Depois de poucos dias, do Egito, veio a contestação. Os investigadores locais aconselharam que as pessoas se guiassem pelos relevos gravados do templo de Dendera, os quais mostram-na como uma mulher bela e cheia de encantos. Na figura acima vemos uma moeda que reproduz o perfil de Cleópatra. Sendo do período romano, a fidelidade de sua representação merece crédito e nela o nariz da rainha parece realmente um tanto avantajado. Veja na primeira parte destas Perguntas Interessantes mais informações sobre Cleópatra e a foto de uma escultura, pertencente ao Museu Britânico e datada do ano 50 a.C., que reproduz, segundo dizem os estudiosos, com fidelidade, o rosto da rainha.

Desejo saber se você conhece algum site na Internet que ensine a confeccionar pirâmides de vários tamanhos e materiais, de forma artesanal.

R – Com relação à confecção de pirâmides, sugerimos que você visite o seguinte endereço da Internet:
http://web.archive.org/web/20091024121328/http://geocities.com/_mistico_/piramid3.htm
e nele encontrará as respostas de que precisa.





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