HOME PAGE
TEMPLOS EM TANIS Na parte nordeste do delta do Nilo situava-se a antiga Djanet, que os gregos batizaram de Tanis e que atualmente recebe o nome de San el-Hagar. A cidade foi residência real e local de sepultamento dos faraós da XXI (c.1070 a 945 a.C.) e da XXII (c. 945 a 712 a.C.) dinastias. Até então essa localidade não tinha sido um centro importante e seus monumentos foram, na sua maioria, transferidos de outros locais no delta. No Período Tardio (c. 712 a 332 a.C.) foi capital do 19. nomo do Alto Egito. A principal atração de San el-Hagar descreve o arqueólogo John Baines é um vasto recinto retangular, construído de tijolo, medindo cerca de 430 m x 37 m. Os muros de vedação tinham, espantosamente, uns 15 m de espessura e cerca de 10 m de altura. No interior deste recinto há outra vedação interior, com tijolos gravados, datando da época de Psusennes I (c. 1040 a 992 a.C.), que compreende o grande templo de Amon. A ilustração acima foi extraída da obra O Mundo Egípcio de John Baines e Jaromír Málek.

Em restos de alicerce do santuário do templo existem as marcas de Psusennes I. Ali também há indícios de que Siamun (c. 978 a 959 a.C.) acrescentou um pátio com pilone, enquanto Osorkon III (c. 883 a 855 a.C.) completou o plano do templo acrescentando outro pilone e um pátio. Por fim, Shoshenk III (c. 835 a 783 a.C.) construiu uma porta e o muro de vedação, por onde se chega ao primeiro pilone. Muito posteriormente, Nectanebo I (380 a 362 a.C.) efetuou, provavelmente, algumas obras de restauração. Para além do grande templo, dentro da vedação interior, havia outras estruturas menores. Fora do recinto, perto do caminho de acesso ao grande templo, Ptolomeu II Filadelfo (285 a 246 a.C.) mandou erigir uma capela. Entre o muro interior e o exterior, Osorkon III construiu o chamado Templo Oriental e Nectanebo II (360 a 343 a.C.) ergueu um Templo de Hórus, completado por Ptolomeu II. Fora do muro de vedação exterior, perto do canto sudoeste, havia um recinto de Mut, construído em grande parte por Siamun e Apries (589 a 570 a.C.) e reconstruído por Ptolomeu IV Filopator (221 a 205 a.C.).

O arqueólogo Pierre Montet, em 1939, escavou, em Tanis, um conjunto de seis túmulos intactos de faraós e suas famílias, da XXI e XXII dinastias, que fornecem exemplos raros do trabalho artístico em materiais preciosos, datando de um período que deixou poucos testemunhos significativos. Eles estavam localizados dentro do muro de vedação interior, perto do canto sudoeste do grande templo. Foram achadas as tumbas de Psusennes I, Amenemope (c. 993 a 984 a.C.), Osorkon III e Shoshenk III, permanecendo anônimas as duas restantes. Baines esclarece: O hábito de construir túmulos dentro dos recintos dos templos era característico do III Período Intermediário (c. 1070 a 712 a.C.), ditado provavelmente pelas condições de instabilidade do país.

Nos túmulos encontrados não foi achada nenhuma superestrutura, as quais provavelmente nunca existiram. Os subterrâneos em muitos casos eram formados por várias salas, construídas com calcário, granito ou tijolos, sendo a entrada feita por um poço. As paredes estavam revestidas de relevos e inscrições. Alguns dos túmulos revela Baines continham várias sepulturas, com sarcófagos muitas vezes feitos de granito e usurpados. Encontraram-se ainda mais dois caixões reais: o sarcófago utilizado por Takelot II (c. 835 a 860 a.C.) foi descoberto numa das salas do túmulo de Osorkon III, tendo sido o caixão de Shoshenk II (c. ? a 883 a.C.), de prata, com cabeça de falcão, colocado no túmulo de Psusennes I. O sarcófago e caixão de Amenemope foram descobertos no túmulo de Psusennes I. As descobertas mais espetaculares são caixões de prata, máscaras de múmias de ouro e jóias, como peitorais, pulseiras e gargantilhas. Excepção feita ao túmulo de Tutankhamon (c. 1333 a 1323 a.C.), da XVIII dinastia, os túmulos reais de San el-Hagar são os únicos que foram descobertos praticamente intactos.